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Crianças com síndrome congênita do zika vírus superam limitações

Entre os anos de 2015 e 2016 a explosão de casos do zika vírus no Brasil desencadeou uma onda de nascimentos de bebês com microcefalia principalmente no Nordeste, o que mais tarde veio a se confirmar como síndrome congênita do zika vírus. Desde então, essas crianças e as famílias lutam para a superação dos limites impostos pela doença.

As complicações vão desde limitações cognitivas, motoras, visuais e auditivas, até convulsões e deficiência de deglutição. O acompanhamento médico é constante e requer adaptação para cada caso.

Segundo dados da Secretaria de Estado da Saúde (Sesau), entre 2015 e 2018, 28 casos de síndrome congênita do zika vírus foram confirmados em Alagoas.

O poder público disponibiliza, por meio de 19 Centros Especializados em Reabilitação (CER), espalhados em todo o estado, acompanhamento para os casos. O suporte de ONG’s também ocorre. É o caso da Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais (Apae) em Maceió, que atende, atualmente nove crianças com a síndrome congênita do zika vírus.

Há cerca de dois anos, a reportagem da Tribuna Independente acompanhou o aniversário de um ano das primeiras crianças com a síndrome congênita acompanhadas pelo Programa de Intervenção Precoce da Apae (Pipa).

O tempo passou e tanto as famílias, quanto os profissionais envolvidos na terapia comemoram os avanços no desenvolvimento delas. Algumas não são mais assistidas pelo Pipa e outras foram incluídas no atendimento.

Segundo a assistente social da Apae Maceió, Alessandra Flamarion, o acompanhamento das crianças considera os aspectos motores, intelectuais, visuais e auditivos. Uma vez por semana, elas passam por sessões de terapia e os avanços são perceptíveis. A maioria das crianças assistidas é do interior do estado.

“Das nove crianças que acompanhamos, apenas três são de Maceió, as demais, são do interior. Elas vêm receber esse acompanhamento na Apae, e na unidade do Farol, o atendimento auditivo e visual”, aponta.

Mães comemoram avanços no desenvolvimento dos filhos

 

Através do programa desenvolvido pela Apae, crianças recebem estimulação visual, motora e cognitiva (Foto: Ascom / APAE)

Quem também comemora a evolução do quadro do filho, é Edivânia Péricles de 23 anos. Ela é mãe do pequeno Jonatas, de 2 anos, e se diz satisfeita pela forma como o filho tem reagido às intervenções.

“Quando ele nasceu e fizeram os exames que confirmaram o que ele tinha, ele foi encaminhado para a Apae para fazer o tratamento. Fazem alongamento, ajudam na fala, nos movimentos. Ele com dois anos já fala algumas coisas. Eu vejo que ele melhora.

Mãe de outra criança, de 6 anos ela conta que as dificuldades fazem parte da rotina e tem sido superadas. “É difícil, mas consegui me adaptar, tenho conseguido lidar bem”, resume.

Lucicleide da Silva, de 22 anos, é mãe de Mikael, de 3 anos e dois meses. O menino faz o acompanhamento na Apae desde os oito meses. Para a mãe dele, é uma alegria perceber os avanços do menino.

“Ele começou o tratamento ainda era bebê. Não se movimentava. Agora ele consegue abrir e fechar a mão, pelos estímulos que recebe. Brinca, fala algumas palavras. Quando ele diz mamãe, papai, para mim é uma alegria muito grande porque as pessoas diziam que ele não ia conseguir e hoje vejo que ele está conseguindo desenvolver. As dificuldades são grandes, é muito difícil, mas por ele eu faço tudo”.

FISIOTERAPEUTA

A fisioterapeuta e coordenadora do Pipa Taíse de Almeida explica que as crianças apresentam melhoras de acordo com cada nível de comprometimento. Elas passam por exemplo por estimulação visual, motora e cognitiva. Algumas já estão inseridas em creches e com o apoio da Apae muitas conseguiram benefícios para dar suporte ao acompanhamento.

“Cada criança tem uma resposta, cada individuo responde de um jeito aos estímulos e cada família tem uma forma de realizar esses estímulos. Algumas são mais participativas e meninos que têm comprometimento menor, nós percebemos uma melhora no quadro de forma geral. Por exemplo, o Jonatas, ele é um dos menores com microcefalia, mas ele já tá andando, falando algumas palavrinhas e a última vitória foi colocar ele na creche.

A mãe estava um pouco ansiosa, mas faz parte do estímulo cognitivo. Ele não é considerado mais em atraso, já está acompanhando os marcos de uma criança típica, como a gente chama. E está melhorando na questão da estimulação cognitiva. Orientamos a mãe como brincar em casa, estimulando a linguagem para aumentar o vocabulário e melhorar a comunicação”, destaca a fisioterapeuta.

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